As prateleiras dos supermercados estão mudando junto com o comportamento do consumidor. Hoje, o que ganha espaço não depende só da novidade, mas do que faz sentido para a rotina.
Produtos que facilitam o dia a dia, trazem mais energia ou se conectam com saúde e sustentabilidade passam a ter mais presença. É o caso de itens orgânicos, funcionais e opções mais práticas, que o cliente consegue incluir facilmente na compra.
Nesse cenário, muda também a forma de olhar para as gôndolas, para o espaço em loja e para o mix de produtos. Para o varejo alimentício, acompanhar esse movimento é uma forma de vender melhor, evitar excesso em categorias com pouca saída e responder com mais agilidade ao que o cliente está buscando.
O que está mudando no consumo dentro dos supermercados
Uma das mudanças mais claras está na combinação entre conveniência e bem-estar. O consumidor continua buscando praticidade, mas quer que essa praticidade venha com algum benefício percebido, seja melhor perfil nutricional, maior saciedade, menos açúcar ou mais proteína.
A McKinsey mostrou isso de forma bastante concreta no Brasil. Em 2025, a creatina cresceu 89% em volume, o whey protein avançou 124% e o iogurte proteico cresceu 16%.
No universo das bebidas, cervejas de baixa caloria avançaram 40%, enquanto versões sem álcool e refrigerantes zero reforçam a busca por equilíbrio sem abrir mão do consumo social.
Na prática, isso indica uma mudança nas ocasiões de compra. Parte dos clientes já não separam mais o consumo entre “produto do dia a dia” e “produto saudável”. As duas coisas começam a se misturar na mesma compra. E isso mexe diretamente na forma como as prateleiras supermercados precisam ser organizadas.
Outro ponto importante é que o consumidor urbano passou a valorizar ainda mais formatos rápidos, porções individuais e soluções fáceis de levar, armazenar ou consumir fora de casa. A Euromonitor destaca que o mercado de snacks no Brasil segue crescendo, apoiado por inovação e forte presença em supermercados e atacarejos.
O novo mapa das prateleiras dos supermercados em 2026
Se o comportamento muda, as categorias também mudam de lugar na loja. Algumas passam a merecer mais espaço, melhor exposição e acompanhamento mais próximo. Confira algumas categorias de alimentos que tem crescido nos últimos anos:
Plant-based e escolhas mais flexíveis
O plant-based, produtos a base de plantas, segue relevante, mas de forma mais madura do que no momento de auge da categoria. O foco agora não está apenas em substituir produtos de origem animal por discurso. Está em atender consumidores com restrições alimentares e perfis que buscam opções percebidas como mais leves ou funcionais.
A Euromonitor aponta que a categoria de laticínios plant-based no Brasil deve crescer ao longo dos próximos anos, impulsionada por saúde e bem-estar, rótulos mais limpos e demanda de consumidores urbanos.
Para o supermercado, isso não significa ampliar o sortimento sem critério. É preciso entender se a loja atende um público que já demonstra interesse por escolhas mais flexíveis e, a partir disso, trabalhar melhor quais itens entram, onde entram e como se conectam com outras categorias.
Snacks saudáveis e consumo em movimento
Os snacks continuam fortes, mas a leitura da categoria ficou mais sofisticada. Não se trata apenas de vender conveniência. Hoje, snacks com apelo proteico, funcional, integral ou zero açúcar tendem a ganhar mais relevância para parte do público.
Nas prateleiras dos supermercados, isso abre espaço para rever exposição, subcategorias e ocasiões de compra. Em vez de tratar tudo como um único grupo, a loja pode diferenciar o local onde ficam os snacks de consumo mais ocasional, como chocolates, doces e salgadinhos, daqueles voltados à alimentação saudável, ao pré-treino, ao lanche rápido ou a escolhas mais equilibradas.
Bebidas funcionais e bem-estar no carrinho
As bebidas funcionais também ganham força porque unem duas coisas muito valorizadas hoje: praticidade e benefício percebido. Entram nessa categoria desde produtos com foco em energia e hidratação até bebidas com apelo proteico, prebiótico ou associado ao bem-estar.
A Spherical Insights projeta crescimento do mercado de bebidas funcionais no Brasil ao longo dos próximos anos, com taxa média anual de 7,76% de 2025 a 2035. Mesmo sendo uma projeção de mercado e não um dado de sell-out de supermercado, ela ajuda a mostrar que a categoria está em expansão.
No ponto de venda, essas bebidas tendem a performar melhor quando aparecem com uma lógica clara: em algumas lojas, podem ganhar visibilidade perto de categorias voltadas à saúde e bem-estar. Em outras, podem se conectar melhor com conveniência e consumo imediato nos checkouts.
Proteínas mais acessíveis e alimentação prática
Outra mudança importante na organização das prateleiras dos supermercados está no ganho de espaço de proteínas mais acessíveis, como ovos e frango.
Esse movimento tem duas forças por trás. De um lado, o preço mais alto da carne vermelha leva muitos consumidores a buscar opções com melhor custo-benefício. De outro, cresce o interesse por uma alimentação mais equilibrada, com foco em praticidade, saciedade e apoio à rotina de exercícios.
Com isso, itens como ovos, cortes de frango, produtos já porcionados e opções com maior teor de proteína passam a aparecer mais no carrinho e, naturalmente, também nas gôndolas.
Para o supermercado, isso abre espaço para trabalhar melhor essas categorias na exposição, na organização por ocasião de consumo e na conexão com produtos complementares, como temperos, itens para preparo rápido e alimentos prontos ou semiprontos.
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Como avaliar se uma tendência faz sentido para o seu supermercado
Antes de atualizar as prateleiras do seu supermercado, vale responder algumas perguntas simples.
Quem é o público da loja? Há bairros e regiões em que as categorias ligadas à saúde e ao bem-estar crescem mais rápido. Em outras, o preço continua sendo o principal critério de decisão. No dia a dia, o consumidor costuma equilibrar a busca por economia com pequenos momentos de consumo por prazer, ao mesmo tempo em que faz escolhas mais conscientes.
Como o cliente compra na sua região? Uma categoria pode crescer no mercado, mas ter pouca saída na sua loja. E o contrário também acontece. Muitas vezes, a oportunidade não está em seguir uma tendência inteira, mas em selecionar dois ou três produtos que façam sentido para o perfil do seu público.
Há espaço em gôndola para essa categoria? No supermercado, espaço é decisão comercial. Toda novidade que entra precisa ser comparada com o desempenho do que já gira bem. Nem sempre ampliar sortimento significa vender mais.
A categoria tem potencial real de resultado? Antes de apostar em uma tendência, vale avaliar se ela tem giro, margem e recorrência suficientes para se sustentar na operação. O crescimento do mercado ajuda a orientar, mas a decisão final precisa considerar a realidade da loja.
Competitividade também passa pela leitura certa das categorias
Supermercados mais competitivos são os que conseguem transformar mudanças de consumo em ações dentro da loja. Quando uma categoria começa a ganhar relevância, não basta colocá-la no mix. Ela também precisa ter espaço adequado, reposição ajustada e acompanhamento constante de desempenho.
É nesse ponto que dados e visão de operação fazem diferença. Com o ERP CISSPoder, é possível acompanhar melhor o desempenho das categorias, identificar padrões de venda e ajustar o sortimento de produtos com base no que realmente acontece no supermercado.
No fim, as prateleiras dos supermercados mostram muito sobre a operação. Quando refletem o que o cliente realmente busca, ajudam a vender melhor. Quando continuam presas a uma lógica antiga, perdem força e oportunidades.
FAQ – Perguntas frequentes sobre prateleiras dos supermercados
1. Como organizar as prateleiras dos supermercados para vender mais?
A organização das prateleiras deve refletir o comportamento de compra do cliente. Isso significa dar mais espaço e visibilidade para os produtos com maior giro, ajustar a exposição por ocasião de consumo e revisar constantemente o desempenho das categorias.
2. Como adaptar as gôndolas do supermercado às novas tendências de consumo?
Adaptar as gôndolas não é apenas incluir novos produtos, mas reorganizar categorias. Produtos ligados à praticidade, saúde e bem-estar podem ganhar mais destaque, enquanto outros podem ter o espaço ajustado conforme o desempenho.
3. Quais produtos estão ganhando espaço nas prateleiras dos supermercados?
Categorias ligadas à conveniência e ao bem-estar têm crescido, como snacks com apelo mais equilibrado, bebidas funcionais e produtos orgânicos. Esses itens respondem a um consumidor que busca praticidade, mas também mais valor na escolha.
4. Vale a pena seguir todas as tendências de consumo no supermercado?
Não. Seguir tendências sem análise pode gerar excesso de estoque e baixa saída. O ideal é testar com poucos produtos, acompanhar o desempenho e só depois ampliar o espaço ou o sortimento.