Não há dúvidas de que a margem de lucro é um dos fatores cruciais na estratégia das organizações. Se for mal definida, afeta os resultados das vendas e pode até mesmo inviabilizar a continuidade das operações. Organizações sem lucro saudável acabam encontrando dificuldades para se manter no mercado, podendo ir à falência mesmo com um alto volume de vendas.

O problema é que muitos empresários têm dúvidas sobre como calcular a margem de lucro de um produto. Se esse é o seu caso, não se preocupe: estamos aqui para ajudá-lo. Neste artigo, você aprenderá a definir a margem de lucro para as suas mercadorias. Vamos auxiliá-lo com dicas para ter mais precisão na formação do preço, ganhando segurança na sua atuação.

Acompanhe!

O que é uma margem de lucro saudável?

Para alguns empresários, quanto maior for a margem de lucro, melhor. Já outros preferem ter um lucro menor, porém ganhar na quantidade, mantendo os preços competitivos. No entanto, como tudo na vida, existe um meio termo.

Uma margem de lucro saudável é aquela que assegura a permanência da empresa no mercado em longo prazo, proporcionando um retorno adequado (e não excepcional) para os donos do negócio.

A margem também varia de acordo com o setor de atuação e com o posicionamento da sua organização no mercado em que atua. Se analisarmos empresas que atuam com produtos/serviços considerados commodities, as margens de lucro são baixas — porém os gestores estão conscientes deste modelo. Já produtos/serviços supérfluos, o percentual de lucro é bem elevado, o que torna mais atraente o empreendimento — aqui o desafio é atrair clientes.

Markup (margem sobre o custo)

O markup é um método que busca chegar em um preço capaz de cobrir todas as despesas, além de oferecer o lucro desejado. Ao calculá-lo, o gestor passa a ter em mãos um índice multiplicador que pode ser usado para precificar mercadorias rapidamente.

O ponto negativo dessa metodologia é que ela não se trata efetivamente de uma margem de lucro, e sim de uma estimativa. Portanto, o índice multiplicador pode ser utilizado como base, e não como algo definitivo.

O cálculo do markup é o seguinte:

Markup = 100 ÷ [100 – (despesas fixas + despesas variáveis + lucro desejado)]

Digamos que você esteja vendendo um produto cujas despesas fixas correspondem a 25%, as despesas variáveis a 13%, enquanto o lucro desejado é de 10%. Nesse caso, o cálculo do markup fica da seguinte forma:

100 ÷ [100 – (25 + 13 + 10)]

100 ÷ [100 – 48]

100 ÷ 48

2,083

O resultado do cálculo (nesse caso, 2,083) é o fator multiplicador que pode ser utilizado para a precificação. Assim, suponhamos que você tem uma mercadoria com custo de R$ 3,00 a unidade. A fórmula do preço final ficaria assim:

R$ 3,00 x (markup)

R$ 3,00 x 2,083

R$ 6,25

Margem bruta e margem líquida

Calculando a margem bruta

A margem bruta mede a rentabilidade do negócio, isto é, a porcentagem que a empresa ganha sobre cada venda. Sua fórmula é a seguinte:

MB = (LB ÷ RT) x 100

Em que:

  • MB = margem bruta
  • LB = lucro bruto
  • RT = receita total

Quer entender melhor esse cálculo? Vamos a um exemplo prático.

Imagine que uma companhia tem uma receita bruta mensal de R$ 150.000,00. Esse é o valor total vendido no mês. Porém, para chegar a esse valor, a empresa teve certos custos.

Digamos que ela tenha gastado R$ 70.000,00 em matéria prima, R$ 18.000,00 de frete e R$ 10.000,00 com armazenamento. O lucro bruto é o valor que sobra depois desses descontos. Nesse caso, R$ 52.000,00.

A partir daí, utilizando a fórmula da margem bruta, apresentada acima, temos o seguinte índice:

(R$ 52.000,00 ÷ R$ 150.000,00) x 100
(0,3466) x 100
34,67%

Calculando a margem líquida

Agora que você já conhece a margem bruta, fica mais fácil compreender a margem líquida e aprofundar ainda mais a definição da sua margem de lucro.

A diferença é que aqui você descontará todas as despesas e impostos. Isso porque, em vez de trabalhar com o lucro bruto, a margem líquida utiliza a variável lucro líquido. Ou seja, a margem líquida diz respeito à quantidade de dinheiro que uma organização lucra a cada real de receita obtido (depois de pagar todas as suas despesas e impostos).

Imagine que a margem de lucro líquido de um negócio seja de 7%. Nesse caso, cada vez que a empresa fatura R$ 100, sobram R$ 7 depois de todos os descontos. A fórmula da margem líquida é a seguinte:

ML = (LL ÷ RT) x 100

Sendo que:

  • ML = Margem líquida
  • LL = Lucro líquido
  • RT = Receita total

Considerando novamente o exemplo anterior, para se chegar à margem líquida, o gestor deve subtrair as despesas e impostos incidentes. Vamos supor que, juntos, eles representem R$ 30.000,00. Nesse caso, o valor do lucro líquido é de R$ 22.000,00

Note que o lucro líquido corresponde ao valor do lucro bruto, menos as despesas e impostos. No nosso exemplo o lucro bruto era de R$ 52.000,00. Subtraímos R$ 30.000,00 e ficamos com um lucro líquido de R$ 22.000,00.

Desse modo, o cálculo da margem líquida ficará assim:

(R$ 22.000,00 ÷ R$ 150.000,00) x 100
(0,1466) x 100
14,67%

Portanto, chegamos a um resultado no qual a margem líquida é de 14,67%. Isso significa que a cada R$ 100 vendidos, a organização lucra R$ 14,67.

Essa abordagem é a mais indicada para definir a margem de lucro de uma companhia. Quando utilizada corretamente, a margem líquida ajuda a instituição a conquistar melhores resultados e a permanecer no mercado em longo prazo.

3 dicas extras para ter mais precisão na formação do preço

1. Mantenha seu DRE em dia

Como você viu, o cálculo da margem líquida não é difícil de ser feito. Contudo, o desafio não está nas contas que o empreendedor faz, e sim em ter os dados corretos em mãos. Para que essas informações tão importantes sejam obtidas, é fundamental que o seu DRE (Demonstrativo de Resultado do Exercício) seja feito corretamente.

O método simples de manter a DRE sempre em dia e de forma coerente é utilizar um software de gestão especializado no ramo em que sua empresa atua. Basta efetuar no sistema os lançamentos das notas de quaisquer despesas/custos, compras, vendas etc. Ao alimentar o software, ele gera os dados financeiros, contábeis, fiscais e de estoque — por consequência, automaticamente o DRE estará pronto, sem necessidade de retrabalhos.

2. Faça pesquisa de preços

A pesquisa de preços consiste em um levantamento dos preços praticados pelos seus concorrentes. Isso não significa que o empreendedor deve simplesmente copiar o que as outras empresas fazem. Pelo contrário: o estudo de mercado permite manter a competitividade sem colocar em risco a saúde financeira da organização.

Para isso, o primeiro passo é definir quais concorrentes serão acompanhados. A partir daí você vai começar a entender a real situação. É possível até que alguns deles estejam errando feio na precificação, seja para mais ou para menos.

O segundo passo é calcular o preço médio de venda dos produtos na região em que atua, assim como os preços mais altos e mais baixos encontrados. A partir de então, pode analisar quais dos seus produtos estão com valores muito fora do comercializado pelos concorrentes, procurando adequá-los. No entanto, nunca deixe de calcular a margem de lucro líquida. Do contrário você, estará trabalhando no “achismo”.

3. Invista em um software de gestão

Já comentamos sobre como um software ERP pode ajudar a conhecer os números do seu negócio, porém não é só isso. Ao contar com uma solução automatizada e integrada para gerir a sua empresa, você pode encontrar inúmeras oportunidades de cortes de gastos. Com isso, sua marca passa a ter mais chances de praticar preços competitivos sem ter a margem de lucro prejudicada.

Por fim, lembre-se que sua contabilidade é fonte de informações e suporte para obtenção dos valores e percentuais de custos/despesas, contribuindo assim para as definições de margens de lucro dos seus produtos. Esse setor atua de maneira estratégica, contribuindo para reconhecer as situações em que a organização se encontra, bem como auxiliando-a nos planejamentos estratégicos para as próximas ações. Além disso, revise sempre seus cálculos e processos para tornar a precificação cada vez mais fácil e natural.

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