Pense na seguinte situação. Seu varejo faturou R$ 4,5 milhões no último ano e agora você está enfrentando uma decisão crucial: continuar no Simples Nacional ou migrar para o Lucro Real? Essa escolha pode representar a diferença entre pagar R$ 360 mil ou R$ 180 mil em impostos anuais — uma economia que, certamente, poderia ser reinvestida no crescimento do negócio.
A verdade é que a decisão entre regime tributário no varejo não deve ser tomada apenas com base no faturamento. Margem de lucro, estrutura de custos, tipo de operação e planejamento estratégico são fatores que podem definir qual caminho será mais vantajoso para sua empresa.
Neste artigo, você vai entender as particularidades de cada regime, analisar exemplos práticos com números reais e descobrir qual opção pode impulsionar o crescimento do seu negócio varejista. Vamos lá?
Simples Nacional: simplicidade que pode custar caro quando o negócio cresce
O Simples Nacional foi criado para simplificar a vida do pequeno empresário, unificando oito tributos (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, ICMS, ISS, IPI e CPP) em uma única guia mensal — o DAS. Para empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, o Simples oferece alíquotas progressivas que começam em 4% e podem chegar a 19,5%, dependendo da atividade e faixa de faturamento conforme a tabela oficial da Receita Federal.
A grande vantagem deste regime está na redução da burocracia. Em vez de calcular cada tributo separadamente, você aplica uma alíquota única sobre a receita bruta. Isso elimina a necessidade de controles complexos e reduz significativamente os custos com contabilidade.
Porém, essa simplicidade tem um preço. O Simples Nacional não permite dedução de despesas e calcula os impostos sempre sobre o faturamento bruto, independentemente da margem de lucro real da empresa. Para varejistas com custos elevados ou margens apertadas, isso pode representar uma carga tributária desproporcional.
Segundo dados da Receita Federal de 2024, empresas varejistas no Simples Nacional pagam em média 8,2% de tributos sobre o faturamento, considerando todas as faixas. Para negócios com margem líquida inferior a 15%, essa carga pode comprometer seriamente a competitividade.
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Lucro Real: complexidade compensada pela economia tributária
Já no Lucro Real, o IRPJ (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) incidem sobre o lucro efetivo da empresa, ajustado por adições e exclusões fiscais previstas na legislação. Se sua empresa tiver prejuízo, não pagará esses tributos. Se houver lucro, a alíquota combinada fica em torno de 25% (15% de IRPJ + 10% de adicional quando aplicável + 9% de CSLL).
A principal vantagem do Lucro Real é a possibilidade de deduzir todas as despesas operacionais legítimas. Salários, aluguéis, fornecedores, energia elétrica, marketing — tudo pode ser abatido do lucro tributável. Além disso, PIS e Cofins são calculados pelo sistema não-cumulativo, permitindo aproveitamento de créditos sobre compras.
Essa flexibilidade torna o Lucro Real especialmente atrativo para varejistas com:
- Margens de lucro controladas (abaixo de 20%);
- Alto volume de despesas dedutíveis;
- Operação estruturada com boa organização contábil;
- Fornecedores que emitem notas fiscais corretamente.
A contrapartida é a complexidade operacional. O regime exige contabilidade rigorosa, controles detalhados de receitas e despesas, apuração mensal ou trimestral dos tributos, e cumprimento de diversas obrigações acessórias como ECF, ECD e DCTF.
Comparativo prático: números que fazem a diferença
Para ilustrar o impacto de cada regime, vamos analisar dois cenários reais de empresas varejistas:
Cenário 1: Supermercado com R$ 5 milhões de faturamento anual
| Regime | Simples Nacional | Lucro Real |
| Receita Anual | R$ 5.000.000 | R$ 5.000.000 |
| Margem Bruta | 25% | 25% |
| Despesas Operacionais | R$ 800.000 | R$ 800.000 |
| Lucro Líquido | R$ 450.000 | R$ 450.000 |
| Carga Tributária | R$ 400.000 (8%) | R$ 285.000 (5,7%) |
| Economia Anual | – | R$ 115.000 |
Cenário 2: Loja de materiais de construção com R$ 3 milhões de faturamento
| Regime | Simples Nacional | Lucro Real |
| Receita Anual | R$ 3.000.000 | R$ 3.000.000 |
| Margem Bruta | 30% | 30% |
| Despesas Operacionais | R$ 600.000 | R$ 600.000 |
| Lucro Líquido | R$ 300.000 | R$ 300.000 |
| Carga Tributária | R$ 210.000 (7%) | R$ 195.000 (6,5%) |
| Economia Anual | – | R$ 15.000 |
Simulações baseadas em dados da Receita Federal e alíquotas médias de 2025.
Note que a economia varia conforme o perfil do negócio. Quanto maior o faturamento e mais estruturada a operação, maior tende ser a vantagem do Lucro Real.
Fatores decisivos para escolher o regime tributário ideal para o varejo
Ainda assim, a escolha entre Simples Nacional e Lucro Real vai muito além do faturamento. É muito importante considere estes fatores essenciais:
Margem de lucro real
Empresas com margem líquida abaixo de 15% geralmente se beneficiam mais do Lucro Real, pois pagam impostos apenas sobre o lucro efetivo. No Simples, a tributação incide sobre toda a receita, independentemente da margem.
Estrutura de custos
Varejistas com altos custos dedutíveis (folha de pagamento robusta, aluguéis elevados, fornecedores com notas fiscais) encontram no Lucro Real maior possibilidade de redução da carga tributária.
Capacidade de gestão
O Lucro Real exige controles financeiros mais rigorosos e equipe contábil qualificada. Avalie se sua empresa tem estrutura para atender às exigências do regime.
Planejamento de crescimento
Se o objetivo é expandir rapidamente, o Lucro Real oferece mais flexibilidade tributária e possibilidades de planejamento fiscal estruturado.
Sazonalidade do negócio
Empresas com receita irregular ao longo do ano podem se beneficiar da apuração trimestral do Lucro Real, equilibrando períodos de alta e baixa rentabilidade.
Como a tecnologia facilita a gestão tributária no varejo
Independentemente do regime escolhido, contar com um sistema de gestão robusto é fundamental para otimizar a carga tributária e manter a conformidade fiscal.
O CISSPoder oferece recursos específicos para gestão tributária no varejo:
- Simulação de regimes: Compare cenários antes de tomar a decisão
- Apuração automática: Calcule tributos com precisão em qualquer regime
- Controle de créditos: Gerencie créditos de PIS/Cofins no Lucro Real
- Relatórios fiscais: Tenha todas as informações para declarações obrigatórias
Como destaca Eliani Fávero, do Fávero Supermercado: “Para nós, a CISS traz segurança. Porque nós temos os nossos números na mão. Tá tudo ali.”
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Transição entre regimes: quando e como fazer a mudança
A mudança de regime tributário só pode ocorrer no início do ano-calendário. Para 2026, o prazo de comunicação vence em 31 de janeiro. Antes de decidir, considere:
Análise retrospectiva
Simule os últimos dois anos com ambos os regimes para identificar qual teria sido mais vantajoso.
Projeção futura
Considere planos de expansão, mudanças no mix de produtos e investimentos programados.
Período de adaptação
Reserve tempo para ajustar processos internos, treinar equipe e implementar novos controles.
Consultoria especializada
Conte com apoio profissional para avaliar todas as variáveis e tomar a decisão mais acertada.
Checklist para escolha do regime tributário varejo
Análise financeira
- Calcule a margem líquida real dos últimos 24 meses
- Some todas as despesas dedutíveis
- Simule ambos os regimes com dados históricos
Estrutura operacional
- Avalie a qualidade dos controles internos
- Verifique a organização da documentação fiscal
- Analise a capacidade da equipe contábil
Planejamento estratégico
- Defina metas de crescimento para os próximos 3 anos
- Considere investimentos e expansões planejadas
- Avalie necessidades de capital de giro
Aspectos legais
- Verifique se há pendências fiscais
- Confirme regularidade cadastral
- Analise histórico de fiscalizações
Regime tributário varejo: decisão estratégica para crescimento sustentável
A escolha entre Simples Nacional e Lucro Real não é apenas uma questão contábil — é uma decisão estratégica que pode definir a competitividade e o potencial de crescimento do seu varejo. Números mostram que empresas que escolhem o regime adequado podem economizar entre 15% e 30% em tributos, recursos que podem ser reinvestidos em expansão, tecnologia ou melhoria da operação.
O regime tributário do varejo ideal varia conforme o perfil específico de cada negócio. Margem de lucro, estrutura de custos, capacidade de gestão e objetivos estratégicos são fatores que devem ser cuidadosamente analisados antes da decisão.
Com a Reforma Tributária em andamento e as constantes mudanças na legislação, contar com tecnologia adequada e orientação especializada torna-se ainda mais importante. A CISS está preparada para apoiar varejistas nessa jornada, oferecendo ferramentas de gestão e conhecimento técnico para otimizar a carga tributária e impulsionar o crescimento dos negócios.
A decisão precisa ser tomada até 31 de janeiro para valer no ano seguinte. Não deixe para última hora — comece a análise agora e faça a escolha que pode transformar os resultados do seu varejo.
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FAQ – Regime tributário para varejo
Posso mudar do Simples para o Lucro Real no meio do ano?
Não. A mudança de regime só é permitida no início do ano-calendário e deve ser comunicada até 31 de janeiro. Para 2026, este é o prazo final para alterar o regime.
Qual regime fiscal paga menos imposto no varejo?
Depende do perfil da empresa. Para negócios com margem alta e poucos custos dedutíveis, o Simples pode ser vantajoso. Para empresas com margem apertada e muitos custos, o Lucro Real geralmente é mais econômico.
Quais cuidados devo tomar antes de mudar de regime?
Simule cenários com dados históricos, avalie a capacidade de gestão da empresa, organize a documentação fiscal e conte com orientação contábil especializada para tomar a decisão mais acertada.
A Reforma Tributária afeta a escolha do regime?
Sim. As mudanças que começam em 2026 podem alterar a vantagem de cada regime. É importante acompanhar as atualizações e reavaliar a decisão conforme a reforma avança.