A nova Reforma Tributária aprovada em 2023 por meio da Emenda Constitucional n.º 132 e detalhada pelas Leis Complementares 192/2024 e 214/2025 deu início à maior transformação do sistema de arrecadação brasileiro nas últimas décadas. Para o varejo, sobretudo nos setores de bens de consumo como supermercados, atacarejos e lojas de construção, o novo modelo tributário exige mais do que conhecimento técnico: requer planejamento estratégico desde já.
A primeira fase de testes já começou em 2025. Em 2026, terá início a cobrança simulada da CBS e IBS, sem efeito financeiro, e a transição completa vai até 2033. Entender as etapas desse processo e adaptar sua operação com antecedência pode significar não apenas conformidade, mas ganho de competitividade.
As principais mudanças na tributação
O novo sistema cria dois tributos que seguem o modelo do IVA (Imposto sobre Valor Agregado):
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): substitui PIS e Cofins, de competência federal;
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): substitui ICMS e ISS, de competência estadual e municipal.
Além disso, o texto da reforma institui o Imposto Seletivo, que incidirá sobre bens considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e agrotóxicos.
Outro ponto-chave é o fim da guerra fiscal. A arrecadação passa a acontecer no destino, ou seja, onde o bem ou serviço é consumido. Isso muda completamente a lógica de incentivos regionais e exige revisão das estratégias logísticas e fiscais do varejo.
Impactos diretos no varejo
A nova estrutura tributária afeta diretamente a formação de preços, a margem de lucro, a logística de distribuição e a administração fiscal das empresas varejistas. Veja os principais pontos de atenção:
- Reprecificação e margens: a incidência de impostos será mais clara e uniforme, o que pode revelar custos ocultos e obrigar revisões nos preços praticados.
- Adequação de sistemas: será necessário atualizar sistemas fiscais e ERPs para lidar com as novas obrigações acessórias, regimes de apuração e formas de emissão de documentos fiscais eletrônicos.
- Fim de incentivos regionais: muitas redes que se beneficiavam de regimes especiais precisarão rever seus centros de distribuição, rotas e bases fiscais.
Leia também – IVA na Reforma Tributária: o que os varejistas precisam saber agora
Ações prioritárias por segmento
Supermercados e Atacarejos
Com operações de alto volume, esses segmentos devem começar revendo seus mixes de produto e simulando cenários tributários com base no novo sistema. Um ponto crítico é o Imposto Seletivo, que poderá atingir bebidas e itens com aditivos, impactando diretamente a cesta de consumo.
Também será necessário:
- Atualizar ERPs para identificar a nova estrutura de alíquotas da CBS e IBS;
- Integrar sistemas de frente de caixa com backoffice fiscal;
- Simular margens e preços sob a nova tributação.
Lojas de Materiais de Construção
Além de lidarem com mixes amplos e variados, essas lojas muitas vezes operam com regimes tributários híbridos. A recomendação é:
- Auditar e revisar a classificação fiscal dos produtos;
- Identificar benefícios fiscais vigentes que deixarão de existir;
- Reestruturar processos de compra e venda com foco em compliance e previsibilidade.
Cronograma de transição: o que vem pela frente
O cronograma da Reforma Tributária é longo, mas tem marcos definidos:
- 2025: início do ambiente de testes para CBS e IBS (já em vigor);
- 2026: cobrança simulada sem efeitos financeiros;
- 2027: cobrança real da CBS com início do período de transição;
- 2029 a 2032: convivência entre o modelo antigo e o novo;
- 2033: extinção total de PIS, Cofins, ICMS e ISS.
O que cada empresa deve fazer agora
Diante das mudanças, o primeiro passo para qualquer empresa do varejo é iniciar simulações tributárias baseadas no seu mix atual de produtos e serviços. Antecipar os possíveis impactos sobre as margens, precificação e fluxo de caixa permitirá decisões mais assertivas.
Paralelamente, será indispensável atualizar as plataformas de emissão fiscal, garantindo que estejam aptas a operar em paralelo com o modelo antigo e o novo durante o período de transição.
Mais do que uma adequação técnica, a transição para a nova reforma tributária exige uma mudança de mentalidade. Isso inclui engajar equipes fiscais, contábeis e comerciais em processos contínuos de capacitação, assegurando que todos compreendam não apenas as novas regras, mas também como elas afetam a operação, o relacionamento com fornecedores e a experiência do consumidor final.
A capacidade de monitorar indicadores financeiros e fiscais com precisão será essencial para ajustar rotas, reformular políticas de preço e manter a competitividade ao longo da transição. Preparar-se agora não é somente uma questão de conformidade: é uma oportunidade de sair na frente.
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FAQ
O que muda na prática para o varejo?
A nova reforma muda a estrutura de cobrança dos tributos, extinguindo impostos atuais e criando dois IVAs (CBS e IBS), com cobrança no destino e exigência de sistemas mais preparados para apuração e compliance.
Quando as novas regras começam a valer?
A CBS terá início em 2027 com alíquota única e transição gradual. Já o IBS será implementada entre 2029 e 2032, com a extinção dos tributos antigos em 2033.
Como um ERP pode ajudar na transição tributária?
ERPs atualizados, como CISSPoder, permitem adequação automática à nova legislação, simulações de impacto tributário, apuração correta e integração com sistemas de emissão fiscal e contábil.