Norma ISO 31000 é um documento de gestão de riscos que serve como referência no mundo inteiro. É implementada por várias empresas, dos mais diferentes ramos e portes.

Porém, como em cada negócio existem particularidades que precisam ser conhecidas e respeitadas, a Norma ISO 31000, por si só, não é suficiente para garantir um bom gerenciamento das incertezas e evitar situações que influenciam negativamente os resultados.

Pensando nisso, resolvemos elaborar este post e explicar melhor como funciona a gestão de riscos na construção civil. Achou interessante? Então, continue com a leitura e saiba mais sobre o assunto agora mesmo!

Quais são os riscos mais comuns da construção civil?

A construção civil é um ramo ainda muito dependente da mão de obra. Com isso, a incidência de acidentes de trabalho nos canteiros de obra pode ser bem alta — caso os cuidados necessários não sejam tomados. Confira, nos tópicos a seguir, quais fatores estão relacionados a esse problema.

Desorganização

A falta de organização é um dos pontos que mais oferecem riscos aos colaboradores em uma obra. Fica fácil imaginar como a ausência de um local certo para os materiais ficarem alocados e a circulação inadequada de pessoas formam uma combinação com grande potencial para acidente.

Falta de atenção

A carência de foco e concentração entre os colaboradores também pode levar a um acidente e, dependendo da ocasião, até mesmo afetar outros trabalhadores que estejam no mesmo local, em um efeito cascata.

Queda de materiais

Esse é um problema bem comum, mas que apresenta um risco grave de acidentes aos colaboradores. Por isso, é de suma importância reforçar o cumprimento das Normas Regulamentadoras e, principalmente, a necessidade de uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs) e de proteção coletiva (EPCs).

Choques elétricos

É sempre recomendado que as atividades relacionadas à energia elétrica sejam executadas por profissionais qualificados, mediante uso de todos os EPIs necessários, e ainda observando-se os devidos cuidados.

Quedas

O trabalho em altura demanda o uso de equipamentos específicos. Alguns exemplos são as plataformas elevatórias, os dispositivos de ancoragem e os cintos de segurança, que devem ser adotados sempre que necessário.

Falta de sinalização adequada

Esse problema é um exemplo claro de negligência e representa um grande risco para todos os presentes nas áreas de construção. Por isso, é preciso investir em placas, fitas zebradas, barreiras e outros recursos que ajudem a sinalizar áreas específicas.

Manuseio de ferramentas

A falta de capacitação adequada ou de treinamento para que os colaboradores saibam utilizar as ferramentas de forma segura também representa riscos — tanto para os profissionais quanto para a qualidade do trabalho.

Como os riscos podem ser minimizados na obra?

Existem algumas ações que contribuem para reduzir a probabilidade de um risco se concretizar. Conheça algumas delas.

Cumprimento das Normas Regulamentadoras (NRs)

É preciso conhecer todas as NRs que dizem respeito à medicina e segurança do trabalho.

Criação de uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA)

A CIPA está prevista na NR 5 e visa criar e implementar ações voltadas para a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho.

Criação de um Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT)

O SESMT está previsto na NR 4 e tem como objetivo prever e evitar acidentes e doenças do trabalho.

Fiscalização do uso de EPIs e EPCs

O fornecimento gratuito dos EPIs e EPCs é obrigatório, de responsabilidade da empresa e está previsto na NR 6.

Realização de treinamentos

Os riscos no canteiro de obras podem ser minimizados com a capacitação e conscientização dos colaboradores quanto ao uso correto dos EPIs, do manuseio adequado das máquinas, equipamentos e ferramentas, entre outros.

Prática do Diálogo Diário de Segurança (DDS)

O DDS faz parte das atribuições do SESMT e tem como objetivo promover o diálogo, a conscientização e a troca de experiências entre os líderes e os colaboradores. Pode ajudar a mapear os riscos na obra e a identificar as ações para neutralizá-los.

Afinal, como realizar a gestão de riscos na construção civil?

Para fazer a gestão de riscos adequadamente, vale a pena contar com alguns aspectos essenciais. Saiba quais são eles nos tópicos a seguir.

Identificação dos riscos

As possíveis ameaças devem ser identificadas com bastante antecedência, para que seja possível elaborar um plano de ação de contenção e contingência e minimizar as chances de que elas se concretizem — ou dos impactos, caso os riscos se concretizem.

Para que isso seja feito com o máximo de eficiência, é necessário fazer um estudo envolvendo vários aspectos, como:

  • análise do local de trabalho;
  • atividades realizadas nele;
  • materiais a serem utilizados;
  • máquinas, ferramentas e equipamentos operados.

A partir daí, fica mais fácil identificar as vulnerabilidades que podem se tornar riscos para a obra e para os colaboradores.

Classificação dos grupos de riscos

Os riscos identificados podem ser classificados por grupos e cores. Veja como isso pode ser feito:

  • físicos (Grupo 1, verde) — fazem parte dessa classificação os fatores aos quais os colaboradores estão sujeitos. Entre eles estão a temperatura, os ruídos e a umidade;
  • químicos (Grupo 2, vermelho) — agentes que podem ser inalados, como vapores e poeira;
  • biológicos (Grupo 3, marrom) — entre os agentes desse grupo, podemos citar fungos bactérias e parasitas;
  • ergonômicos (Grupo 4, amarelo) — são situações que podem causar desconforto ou mesmo o surgimento de doenças laborais. A repetitividade e o levantamento inadequado de peso são bons exemplos;
  • de acidentes (Grupo 5, azul) — são fatores que podem afetar a integridade física do trabalhador. A negligência quanto ao uso de EPIs e a falta de atenção são exemplos das causas.

Vale lembrar que essa classificação é padronizada, de forma que qualquer empresa pode utilizá-la, facilitando a identificação dos riscos e evitando erros.

Elaboração de planos de contenção e contingência

Enquanto a contenção ajuda a inibir a concretização dos riscos, a contingência consiste nas ações voltadas para minimizar os impactos negativos quando a ameaça já se realizou.

O objetivo é ter um plano de ação proativo — antecipando os ricos e criando medidas para neutralizá-los — e também reativo, de forma que medidas paliativas sejam adotadas para não aumentar a gravidade e a emergência de uma situação ocorrida.

Monitoramento contínuo

Agora que já se estabeleceu um plano, é o momento de monitorar os riscos para garantir que eles estão sob controle e que as equipes estão prontas para adotar as medidas necessárias para neutralizá-los.

Quando ocorrem incidentes que não haviam sido previstos, a solução é apostar na contingência para adotar as medidas necessárias — tanto para resolver questões que requerem ações imediatas quanto para minimizar as consequências.

A gestão de riscos na construção civil é de suma importância para garantir a integridade dos colaboradores, certificar-se de que a legislação está sendo cumprida e também para alcançar os objetivos — como obedecer o cronograma e o orçamento e manter os níveis de qualidade.

Suas dúvidas sobre o assunto foram esclarecidas? Tem alguma experiência sobre o tema para compartilhar conosco? Deixe seu comentário!